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O que mudou na imprensa: entre a liberdade de informar e a responsabilidade com a verdade

O que mudou na imprensa: entre a liberdade de informar e a responsabilidade com a verdade

Durante muito tempo, fazer imprensa exigia estrutura, responsabilidade e compromisso público. Um veículo de comunicação, para existir de forma séria, precisava ter CNPJ, endereço, expediente, jornalista responsável, linha editorial, checagem de informações e algum grau de responsabilidade sobre aquilo que publicava. Não era um sistema perfeito, claro. A imprensa sempre teve seus erros, disputas, interesses e limitações. Mas havia uma noção muito mais clara de responsabilidade.

O jornalista sabia que seu nome, sua reputação e a credibilidade do veículo estavam diretamente ligados ao que era publicado. E havia um ponto fundamental nisso: era preciso dar a cara. As notícias eram assinadas, os veículos tinham responsáveis identificáveis, havia expediente, endereço, CNPJ e alguém que respondia publicamente por aquela informação. Uma informação errada poderia gerar direito de resposta, processo, desgaste público e perda de confiança. Por isso, a apuração era parte essencial do trabalho. Ouvir fontes, confirmar dados, buscar o outro lado e tratar o leitor com respeito não eram detalhes: eram fundamentos da profissão.

Nos últimos anos, esse cenário mudou profundamente. Com a internet e as redes sociais, qualquer pessoa pode criar uma página, um perfil ou um suposto portal de notícias em poucos minutos. Essa democratização trouxe pontos positivos, como a ampliação de vozes, a rapidez na circulação de informações e a possibilidade de novos projetos jornalísticos surgirem sem depender das estruturas tradicionais. O problema é que, junto com essa abertura, também surgiu um ambiente quase sem filtro, onde muita gente passou a se apresentar como imprensa sem ter qualquer compromisso com os princípios básicos do jornalismo.

Hoje, estamos cada vez mais reféns de pessoas mal-intencionadas que se aproveitam dessa facilidade para espalhar boatos, distorções e notícias falsas. Isso aparece com ainda mais força em períodos eleitorais, quando páginas e perfis surgem com aparência jornalística, mas com objetivo claro de atacar reputações, manipular debates e confundir a população. Muitas vezes, depois que o estrago está feito, essas páginas desaparecem, mudam de nome ou seguem atuando sem punição efetiva.

O grande problema de parte da desinformação atual é justamente a falta de rosto. Muitas páginas atacam, acusam, distorcem e espalham boatos sem que ninguém saiba claramente quem está por trás. Não há assinatura, não há expediente, não há responsável, não há compromisso público. E, quando o dano acontece, muitas simplesmente somem, mudam de nome ou continuam operando como se nada tivesse acontecido.

Esse problema não começou agora. A desinformação sempre existiu. A diferença é que, antes, havia mais barreiras para que uma mentira ganhasse aparência de notícia. Hoje, a internet funciona, muitas vezes, como uma terra sem lei. Basta um título chamativo, uma arte bem feita e uma postagem impulsionada para que uma informação falsa alcance milhares de pessoas antes mesmo que alguém consiga desmenti-la.

E aqui é importante deixar claro: o debate não é sobre censura. Não se trata de calar opiniões, impedir críticas ou controlar a liberdade de expressão. A questão é outra. Trata-se de respeito à informação, ao leitor e à sociedade. Liberdade de imprensa não pode ser confundida com liberdade para mentir. Opinião não é notícia. Ataque pessoal não é apuração. Boato não é jornalismo.

A boa imprensa, seja a de antigamente ou a de agora, sempre teve como princípio o cuidado com o que entrega ao público. O bom jornalista sabe que uma notícia pode afetar vidas, empresas, reputações, eleições e decisões coletivas. Por isso, informar exige responsabilidade. Não basta publicar rápido. É preciso publicar corretamente.

O leitor também precisa estar mais atento. Nem todo perfil que se diz jornalístico faz jornalismo. Nem toda página com nome de notícia é um veículo de comunicação. É preciso observar se existe identificação clara, quem são os responsáveis, se há fonte, se o outro lado foi ouvido, se o conteúdo informa ou apenas tenta provocar indignação.

A imprensa profissional continua tendo um papel fundamental na democracia. Ela fiscaliza o poder público, dá voz à população, registra a história das cidades e ajuda a organizar o debate público. Mas, para isso, precisa ser diferenciada da produção irresponsável de conteúdo disfarçada de notícia.

O futuro da informação não depende apenas da tecnologia. Depende de ética, responsabilidade e compromisso com a verdade. A internet pode ser uma ferramenta poderosa para informar melhor, aproximar pessoas e fortalecer a sociedade. Mas, sem respeito ao leitor e sem cuidado com a informação, ela também pode se transformar em um campo fértil para a mentira.

No fim, a diferença entre jornalismo e desinformação continua sendo a mesma de sempre: compromisso. O bom jornalista não publica para destruir. Publica para informar. Não usa a notícia como arma. Usa a informação como serviço. E esse cuidado, mais do que nunca, precisa ser valorizado.

O Jundiaí Notícias, portal no qual este artigo está sendo publicado, tem nome, sobrenome e compromisso público com a informação. Aqui, o jornalismo tem responsáveis, princípios editoriais, políticas claras e documentos disponíveis ao leitor. Quer entender essa diferença? No rodapé do portal há uma seção dedicada aos documentos legais e institucionais, com informações sobre Transparência e Expediente, Política de Privacidade, Termos, Termos de Serviço, Princípios Editoriais, Código de Ética e Conduta, Política de Correção de Erros e Política de Sustentabilidade.

Isso é jornalismo sério.

Rodrigo Malagoli

Rodrigo Malagoli é profissional de marketing e publicidade, CEO do Grupo Novo Dia, que reúne os veículos Novo Dia Notícias, Jornal da Cidade e Jundiaí Notícias. Lidera também o Novo Dia Live, produtora audiovisual responsável por documentários sociais e pelo canal Novo Dia TV. Dirige a Focus Mídia Digital, especializada em mídia indoor e outdoor, e a Cena Blue, focada em soluções de TV Corporativa e TV Pública. É cofundador do Grape Valley, comunidade de inovação que apoia startups, e vice-presidente da Associação de Tecnologia e Inovação de Jundiaí (ATIJ). Além disso, está à frente do projeto social ONEmug, que alia arte, solidariedade e sustentabilidade em prol de instituições locais.

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