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Quanto tempo dura um órgão transplantado?

Quanto tempo dura um órgão transplantado?

Um órgão transplantado não possui um “prazo de validade” determinado. Sua durabilidade varia conforme diferentes fatores relacionados ao doador, ao receptor e aos cuidados mantidos após a cirurgia.

De acordo com a enfermeira Raíssa Fileli, da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, o acompanhamento médico e o uso correto dos medicamentos são fundamentais para a longevidade do transplante.

“Com o uso adequado dos medicamentos imunossupressores e o seguimento médico regular, muitos pacientes conseguem conviver por décadas com o órgão transplantado e ter qualidade de vida”, afirmou.

Órgãos podem funcionar por décadas

Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, um rim transplantado de doador vivo pode funcionar, em média, entre 15 e 25 anos. Órgãos provenientes de doadores falecidos apresentam uma sobrevida média entre oito e 12 anos.

Também existem registros de enxertos que permaneceram em funcionamento por mais de 40 anos. Raíssa ressalta, entretanto, que esses períodos são apenas referências e podem variar conforme cada situação.

“A longevidade do transplante começa antes mesmo da cirurgia, envolvendo a manutenção do potencial doador, a captação, a preservação do órgão, a compatibilidade com o receptor e todo o acompanhamento realizado após o procedimento”, explicou.

Quando um novo transplante pode ser necessário?

Apesar dos avanços e dos resultados positivos dos transplantes, algumas pessoas podem precisar passar por um novo procedimento.

Isso pode acontecer em casos de rejeição aguda, quando o organismo não aceita o órgão logo após a cirurgia, ou diante da perda gradual da função do enxerto ao longo dos anos.

O uso inadequado dos medicamentos imunossupressores também pode comprometer o funcionamento do órgão transplantado.

“Nessas circunstâncias, alguns pacientes precisam retornar à fila de espera para receber um novo transplante”, apontou a enfermeira.

Tempo para transplantar é limitado

Após a captação, cada órgão possui um período máximo de preservação, conhecido como tempo de isquemia fria. Caso esse limite seja ultrapassado, a viabilidade pode ser comprometida, impedindo a utilização do órgão.

O coração precisa ser transplantado em até quatro horas. Para o pulmão, o período é de até seis horas. Fígado e pâncreas podem ser preservados por até 12 horas, enquanto os rins podem chegar a 48 horas.

Avanços aumentam a sobrevida dos transplantes

Segundo Raíssa Fileli, a evolução dos medicamentos imunossupressores, das técnicas cirúrgicas e dos métodos de preservação contribuiu para aumentar a sobrevida dos órgãos transplantados.

Entre os avanços estão os sistemas de perfusão mecânica, o transporte especializado e a maior precisão nos processos de compatibilidade entre doadores e receptores.

Esses recursos também permitem identificar rejeições e outras complicações com maior rapidez, possibilitando tratamentos mais individualizados.

Um doador pode beneficiar até oito pessoas

Um único doador de órgãos pode beneficiar até oito pessoas. Durante o Setembro Verde, campanha de incentivo à doação, uma das principais orientações é conversar com a família e comunicar esse desejo.

“No Brasil, a autorização familiar é indispensável para que a doação aconteça. Falar sobre doação de órgãos é falar sobre solidariedade, esperança e a possibilidade de transformar a vida de muitas pessoas. Uma única conversa pode fazer a diferença e permitir que uma vida continue ajudando outras vidas”, destacou Raíssa.

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